O bem e o mal de Parker
O que fazer se o gosto de um crítico corresponde ao da maioria dos consumidores?
Guilherme Rodrigues
Mais cedo ou mais tarde, a conversa sobre parkerização aparece nas mesas. Não há como evitar a intermitência do neologismo. Já inspirou inclusive filme. O significado do termo não é preciso. Indica o receio da estandardização dos vinhos, o poder de um crítico sobre o mercado, a influência do gosto de uma pessoa sobre o padrão dos vinhos produzidos mundialmente. Também não deixa de refletir, algumas vezes, o habitual antiamericanismo.
Mas é preciso olhar em volta. Nem tudo no universo do vinho é feito de fruta, madeira e borbulhas de microoxigenadores; ou de leveduras artificiais, proteínas injetadas e outras bruxarias inovadoras. Ao contrário. Tomemos como referência o mercado brasileiro. Há 25 anos, o que havia? Garrafas azuis de mosto concentrado hidratado pelos alemães, Chianti horríveis na palhinha, Dão de rasgar a língua, rosés pegajosos.
De lá para cá, em pouco tempo cresceu enormemente a oferta de vinhos bem elaborados. As estatísticas de consumo per capita dos brancos e tintos vulgares se encontram declinantes. Mas estão em ascensão os vinhos de melhor qualidade. Os consumidores acordaram. Encontraram produtos diversificados e de melhor qualidade. O mercado global movimenta vendas de US$ 100 bilhões por ano.
Então, qual o sentido de parkerização? Continua a ser um demônio para muitos. Não seria pior a uniformidade ácida e dura dos vinhos de antigamente? E a monotonia da pequena diversidade então existente? Hoje, uma quantidade enorme de vinicultores elabora seu vinho, com identidade própria. Antes, vendiam as uvas a grandes empresas.
O que fazer se o gosto de um crítico corresponde ao da maioria dos consumidores? Se estes não se identificassem com os juízos de Parker, ele não teria sucesso. Gosto é gosto, tão simples assim. Existe o risco de uma opinião tão forte condicionar os vinhos em escala planetária a ponto de colocar em risco a diversidade? Até agora, ocorreu o contrário. Não esqueçamos que Parker passou a ser o todo-poderoso oráculo há uns 20 anos. Justamente o período em que explodiu uma diversidade jamais vista.
O mal é fabricar vinhos deturpando as qualidades naturais e a identidade do produto. Isso se chama vulgarização. Não se trata de parkerização, coisa nenhuma. É a má enologia a serviço de produtores relaxados e do comércio inescrupuloso. Contra essa praga, só há um remédio: a educação dos apreciadores dos vinhos. Os consumidores estão mais esclarecidos, possuem uma cultura mais evoluída, têm mais informação e afirmam sua personalidade. É esse o caminho.
Mas é preciso olhar em volta. Nem tudo no universo do vinho é feito de fruta, madeira e borbulhas de microoxigenadores; ou de leveduras artificiais, proteínas injetadas e outras bruxarias inovadoras. Ao contrário. Tomemos como referência o mercado brasileiro. Há 25 anos, o que havia? Garrafas azuis de mosto concentrado hidratado pelos alemães, Chianti horríveis na palhinha, Dão de rasgar a língua, rosés pegajosos.
De lá para cá, em pouco tempo cresceu enormemente a oferta de vinhos bem elaborados. As estatísticas de consumo per capita dos brancos e tintos vulgares se encontram declinantes. Mas estão em ascensão os vinhos de melhor qualidade. Os consumidores acordaram. Encontraram produtos diversificados e de melhor qualidade. O mercado global movimenta vendas de US$ 100 bilhões por ano.
Então, qual o sentido de parkerização? Continua a ser um demônio para muitos. Não seria pior a uniformidade ácida e dura dos vinhos de antigamente? E a monotonia da pequena diversidade então existente? Hoje, uma quantidade enorme de vinicultores elabora seu vinho, com identidade própria. Antes, vendiam as uvas a grandes empresas.
O que fazer se o gosto de um crítico corresponde ao da maioria dos consumidores? Se estes não se identificassem com os juízos de Parker, ele não teria sucesso. Gosto é gosto, tão simples assim. Existe o risco de uma opinião tão forte condicionar os vinhos em escala planetária a ponto de colocar em risco a diversidade? Até agora, ocorreu o contrário. Não esqueçamos que Parker passou a ser o todo-poderoso oráculo há uns 20 anos. Justamente o período em que explodiu uma diversidade jamais vista.
O mal é fabricar vinhos deturpando as qualidades naturais e a identidade do produto. Isso se chama vulgarização. Não se trata de parkerização, coisa nenhuma. É a má enologia a serviço de produtores relaxados e do comércio inescrupuloso. Contra essa praga, só há um remédio: a educação dos apreciadores dos vinhos. Os consumidores estão mais esclarecidos, possuem uma cultura mais evoluída, têm mais informação e afirmam sua personalidade. É esse o caminho.
Publicada na edição 181 (Novembro/2007) da Gula
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